Taciturno



Sou mais uma sombra entre outros espectros
Em meio à turba dos desafortunados sinto o vazio deste limbo
Olhando os semblantes tristes que vagueiam neste deserto
Destituídas de tudo, mas ainda assim seguindo.

À espera de alguém que os liberte do sofrer perpétuo
Que foram condenados a passar sem clemência
Vagueando por este abismo abjeto
Ao findar da efêmera existência.

Sigo sozinho, imerso em mim mesmo e taciturno
Enquanto outros em grandes filas de aflitos
Lamentam em estridentes ais seu infortúnio
Mantenho-me imperturbável e meu silêncio ecoa mais que seus gritos.

Não há nobre alma que por aqui viaje, guiado por Virgílio
Neste mundo onde o tempo também não existe
Todos são desconhecidos, não há pais nem filhos

E por toda a eternidade apenas a solidão persiste.

Sobre o autor

“Escrevo pela simples necessidade de sentir meus próprios sentimentos e ouvir meus pensamentos que vagam sem ressonância neste mundo de surdos. Eu escrevo pra tentar compreender a mim mesmo, não para responder questões às quais nunca saberei a resposta.(Roberto Codax)

Roberto Codax. Tecnologia do Blogger.

Playlist